“Fred”, do áudio de Aécio, é ex-diretor da Cemig

19 de Maio de 2017 às 11:00

Aécio Neves, presidente do PSDB e senador por Minas Gerais, foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, dono da JBS, segundo reportagem do jornal "O Globo" publicada na quarta-feira (17) e divulgada de forma massiva em diversos meios de comunicação, juntamente com as denúncias envolvendo Michel Temer e Eduardo Cunha.

— Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança — propôs Joesley.

— Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho — respondeu Aécio.

“Fred”, o nome indicado para receber o dinheiro e que seria “morto”, é Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio e ex-diretor da Cemig, uma das principais concessionárias de energia elétrica do Brasil, considerada a maior empresa integrada do setor de energia elétrica da América do Sul, e a maior da América Latina, em quilômetros de rede e de equipamentos e instalações de barragens e uma das maiores violadoras dos direitos dos atingidos em todo o país.

O grupo é constituído por mais de 181 sociedades e 17 consórcios. Trata-se de uma companhia de capital aberto controlada pelo Governo do Estado de Minas Gerais e possui 117 mil acionistas em 44 países. Suas ações são negociadas na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo, na Bolsa de Valores de Nova York e na Bolsa de Madri.

Em março de 2014, a Cemig comprou 83% do capital social e 49% das ações da SAAG Investimentos, empresa de investimentos do Grupo Andrade Gutierrez, fato que também despertam suspeitas para as investigações da Lava-Jato. Com isso, aumentou sua participação na Madeira Energia, consórcio responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio. Localizada no Rio Madeira, em Rondônia, a Usina de Santo Antônio será a segunda maior hidrelétrica de turbinas bulbo do mundo, alagando centenas de quilômetros de terras na região amazônica e atingido milhares de ribeirinhos, que até hoje não tem seus direitos reconhecidos.

Violanções contra os atingidos

São diversas as violações de direitos contra os atingidos praticados por parte da Cemig. As barragens de Irapé, no Vale do Jequitinhonha, e da Usina de Aimorés, no leste do estado de Minas Gerais são bons exemplo da atuação da Companhia.

Inaugurada em junho de 2006, a Usina Hidrelétrica de Irapé possui a barragem mais alta do Brasil e a segunda maior da América Latina, com 208 metros, desde sua construção, o regime de cheias e baixas do rio foi alterado, o que impactou na produção de alimentos, na pesca e na forma de ocupação das margens pelas comunidades locais, além disso houve uma profunda contaminação das águas com mercúrio.

Ainda hoje, a região possui mais de 3% das moradias sem acesso à energia elétrica– a taxa de porcentagem, em nível de Brasil, é de menos de 1% dos domicílios que vivem no escuro. Enquanto o Vale do Jequitinhonha apenas se perpetua como a região com menor PIB de Minas Gerais, os atingidos por barragens veem as violações aumentando a cada ano.

“A privatização do setor elétrico é um dos pilares que sustenta os esquemas de corrupção em todo o país, aumentando a exploração aos trabalhadores atingidos por barragens e garantindo os lucros dos grandes empresários do setor elétrico”, afirma.

“Fred”, hoje preso, foi nomeado pelo próprio tucano Aécio Neves para assumir o cargo na companhia,. Além disso, foi um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014, responsável por tocar a área de logística.

Fonte: MAB

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