Há exatamente um ano perdíamos o colega Gabriel Luciano, eletrocutado durante um serviço de manutenção na subestação Pai Joaquim, em Santa Juliana, no Triângulo Mineiro. Luciano tinha apenas 27 anos e sofreu um choque elétrico de 13.800 volts. Apesar de ter sido socorrido pela própria equipe, faleceu a caminho do hospital de Uberaba.
Infelizmente o acidente não é caso isolado: na época, somou-se a uma série que vinha acontecendo na empresa. O presidente da Cemig, Reynaldo Passanezi, manifestou seu pesar em vídeo. Nosso coordenador geral, Emerson Andrada, respondeu: “Dizer que lamenta muito e que está triste ao mesmo tempo em que sua gestão é responsável pelo maior número de acidentes dos últimos 20 anos, responsável pelo maior número de acidentes com linha viva da história da Cemig, é, no mínimo, um deboche com a categoria”.
“Se você quer ser solidário, primeiro comece a cuidar da categoria”, continuou. “Determine a revisão das práticas de segurança. Mudar essa realidade exige acabar com a ocultação de acidentes do trabalho, acabar com o revanchismo de gestão”.
O Sindieletro entende que a redução do número de trabalhadores do quadro próprio obriga os que ficam a enfrentar jornadas exaustivas e lidar com atividades complexas precocemente. O assédio como instrumento de gestão, o acúmulo de funções, a ocultação da ocorrência de acidentes, a tratativa escusa de casos de adoecimentos e a primazia por produtividade em detrimento da vida do trabalhador têm feito uma vítima atrás da outra.
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No dia 13 de julho, o Sindieletro chamou greve por saúde e segurança na Cemig e pela memória de Gabriel Luciano. Realizamos um grande ato em frente à Sede, em Belo Horizonte, com participações de deputados e movimentos como o MST. No interior, as mobilizações nas portarias da Cemig contaram com atos, conversa sobre as pautas da paralisação com os trabalhadores e as trabalhadoras e entrega de panfletos para a população, entre outras ações.
No mesmo dia, a Comissão do Trabalho, da Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais debateu, por meio de audiência pública, o avanço do número de acidentes de trabalho, a omissão da Companhia e casos de subnotificação. Para apurar o que houve no acidente fatal com Luciano, foi formada uma Comissão de Análise de Acidente da qual o Sindieletro fez parte.
Gestão Zema não avança na pauta de saúde e segurança
Como sempre, mas principalmente após o trauma da perda de Luciano, o Sindieletro cobrou medidas eficazes da gestão da Cemig para proteger a saúde e garantir a segurança dos trabalhadores. Em vez de debater as demandas do sindicato trazidas inclusive na pauta do ACT 2023, a empresa escolheu soluções verticalizadas para tratar a questão: a gestão Zema contratou a DSS+ – subsidiária da DUPONT, empresa norte-americana especializada em segurança – para diagnosticar a segurança na empresa e implementar um esquema de vigilância entre os colegas que responsabiliza e pune os próprios trabalhadores.
De lá para cá, a gestão da Cemig segue agindo com a mesma displicência. O Sindieletro continua cobrando e fiscalizando a gestão Zema na Cemig, entendendo que política de saúde e segurança nas empresas não pode ser uma prática vertical, mas precisa ser construída com o sindicato: nosso instrumento de luta coletiva, a voz e a defesa da classe trabalhadora.
Em algumas semanas teremos o Dia Nacional da Prevenção de Acidentes de Trabalho, em 27 de julho. Em memória de Gabriel Luciano e de muitos outros que perderam suas vidas a serviço do setor energético, seguimos a plenos pulmões reivindicando que a vida venha antes do lucro.
Gabriel Luciano: presente!