Trabalhadores da Copasa denunciam distribuição extra de dividendos como estratégica para privatizar



Trabalhadores da Copasa denunciam distribuição extra de dividendos como estratégica para privatizar

Em meio às tentativas de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), diversos trabalhadores se reuniram na manhã da quarta-feira (13), em Belo Horizonte, para manifestar contra a distribuição extraordinária de R$ 372,5 milhões de dividendos para acionistas da estatal mineira. O ato aconteceu em frente à regional da Copasa, no bairro Santo Antônio.

Eduardo Pereira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua-MG), acredita que distribuir dividendos extraordinários neste momento em que a população de Belo Horizonte sofre por falta de água é um “tapa na cara do povo”.

“Essa distribuição vem sendo praticada com muita força no governo Zema. Esse dinheiro poderia ser investido em saneamento básico, mas está indo para o bolso de acionistas”, critica.

Na avaliação de Wagner Xavier, assessor do Sindágua-MG, ao deixar de investir o dinheiro nas necessidades da companhia, a medida enfraquece o serviço. Para ele, a distribuição é “absurda” porque o valor poderia servir para aumento de capital, o que deixaria a empresa com maior capacidade de intervenção, investimento e de trabalho.

“Além disso, tem um fato que agrava mais essa situação. A Copasa poderia muito bem distribuir 25% do seu lucro líquido, mas, numa definição do governo estadual, que controla a empresa e tem 50% das ações, foi definido que ela ia distribuir 50%”, observa o assessor.

Por ser uma empresa de economia mista, a Copasa é obrigada a distribuir, de forma ordinária, no mínimo 25% lucro aos seus acionistas. No caso da distribuição extraordinária, prevista em regimento, a partilha pode ser feita desde que exista dinheiro em caixa e não atrapalhe os investimentos.

Não à privatização

Desde outubro, tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do estado, que busca retirar a obrigatoriedade de realização de um referendo popular para vender as empresas estatais estratégicas, incluindo a Copasa.


Eduardo e Wagner acreditam que a distribuição de 50% dos dividendos aos acionistas faz parte da política de Romeu Zema (Novo) para sucatear a estatal. Assim, de acordo com os sindicalistas, o governador retira o máximo de dinheiro possível da companhia para que a população aceite a sua proposta de privatizar a Copasa.

“Ele não colocou um real na Copasa e, apesar disso, mantém o seu discurso de que a estatal é inoperante e incompetente. Nós temos que lutar para derrotar essa proposta do governo Zema de privatização, porque com isso quem terá o maior prejuízo será a população pobre do estado”, defende Wagner.

Fonte: Brasil de Fato MG

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