Crédito consignado do INSS será ampliado devido à pandemia



Crédito consignado do INSS será ampliado devido à pandemia

O CNPS (Conselho Nacional da Previdência Social) recomendou a ampliação em cinco pontos percentuais do crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) durante o estado de calamidade pública ocasionado pela pandemia de Covid-19.

A decisão tomada pelo conselho foi publicada na segunda-feira (31) no "Diário Oficial da União", sem detalhar como o acréscimo será distribuído entre as modalidades cartão de crédito e empréstimo pessoal.

De acordo com um membro do conselho, a proposta é para que a margem consignável –parte do valor do benefício que pode ser comprometida com a parcela descontada diretamente do salário– aumente dos atuais 30% para 35%. Para beneficiários que utilizam o cartão de crédito consignado, o limite permanece em 5%.

Com as alterações, o valor mensal da aposentadoria ou pensão do INSS que pode ser destinada ao pagamento desse tipo de dívida passará de 35% para 40%.

Um aposentado com renda de R$ 1.045, por exemplo, aumentaria a parte da sua renda que pode ser comprometida com consignados de R$ 365,75 para R$ 418.

Para passar a valer, a nova margem consignável ainda precisa ser convertida em lei, que deverá ser proposta pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

Ações voltadas ao crédito consignado do INSS têm se tornado constantes desde março, período que a crise econômica se agravou devido ao avanço do novo coronavírus.

Em março, o CNPS aprovou a redução do teto dos juros do empréstimo consignado em favor dos beneficiários, além da ampliação do prazo para o pagamento da dívida.

A taxa máxima cobrada pelo empréstimo com desconto no benefício passou de 2,08% para 1,80%. O número máximo de parcelas mensais para pagar a dívida foi ampliado de 72 para 84 meses.

No final de julho, devido ao estado de calamidade pública estabelecido por causa da pandemia de Covid-19, também houve a criação da carência de 90 dias para o pagamento da primeira parcela e a ampliação do valor do limite para endividamento por meio do cartão de crédito consignado, passando de 140% para 160% do valor do benefício.

Para quem tem empréstimos consignados com condições menos vantajosas as mencionadas acima, a orientação é negociar novos prazos e taxas com a própria instituição financeira que concedeu o crédito ou buscar a portabilidade, orienta Reinaldo Domingos, presidente da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros).

“O aposentado ou pensionista que enfrenta dificuldade porque as parcelas são muito pesadas deve alongar ao máximo o pagamento da dívida, com a menor taxa de juros possível”, afirma Domingos.

O empréstimo consignado também é um aliado quando utilizado para quitar dívidas com juros mais altos, como são as que envolvem o cartão de crédito e o cheque especial.

Domingos alerta que o consignado é um remédio temporário, pois a solução para o endividamento só virá com a educação financeira. “É preciso cortar gastos.”

Como é

A margem para beneficiários do INSS é de 35% do benefício. O limite é distribuído da seguinte forma:

30% do benefício > para o empréstimo pessoal consignado.
5% do benefício > para o cartão de crédito consignado.

Como pode ficar

A proposta é que a margem consignável seja elevada para 40% do benefício. Esse percentual seria distribuído assim:

35% do benefício > para o empréstimo pessoal consignado.
5% do benefício > para o cartão de crédito consignado.

Risco de endividamento

O aposentado deve avaliar com cuidado a possibilidade de tomar um crédito consignado.

As parcelas são descontadas direto do benefício e pode faltar dinheiro para despesas básicas.

PARA QUEM VAI PEDIR

Se está pensando em pedir um empréstimo consignado, considere as seguintes orientações:

Antes de pedir empréstimo, tome nota de todos os seus gastos e descubra para onde vai cada centavo do dinheiro durante o mês.

Reduza o seu custo de vida em até 30% do ganho mensal, porque este é o valor da prestação que será descontada diretamente da sua renda mensal. Se utilizar o aumento da margem consignável, reduza seus gastos na mesma medida.

O crédito consignado é boa opção para quitar cheque especial, cartão de crédito e empréstimos pessoas com juros mais altos, mas essa vantagem vai durar pouco se não houver uma importante redução do padrão de vida.

Jamais conte com o crédito como se esse dinheiro fizesse parte da sua renda mensal. Sua utilização deve ter um objetivo específico e importante
Nunca tome o crédito consignado para emprestar dinheiro para parentes e amigos.

Mesmo que já tenha um empréstimo consignado, sempre pesquise taxas da concorrência e se achar alguma mais vantajosa, faça a portabilidade.

Considere que os juros do consignado podem até ser mais baixos do que de outras modalidades de crédito, mas ainda estão muito acima da inflação e isso traz prejuízo a aposentados e pensionistas.

OUTRAS REGRAS

No final de julho, o INSS aprovou mudanças nas regras do empréstimo consignado. As alterações ajudam na negociação, pois criam carência e aumentam o limite de crédito.
Redução do bloqueio

O período que um novo benefício fica bloqueado para tomar empréstimos consignados foi reduzido de 90 para 30 dias após a concessão.

Carência

Os bancos serão autorizados a oferecer uma carência de até 90 dias para pagamento da primeira parcela. Ou seja, ao contratar o empréstimo, o aposentado terá três meses para começar a pagar a dívida.

As duas medidas –redução do bloqueio e carência– valem até 31 de dezembro de 2020, pois são normas emergenciais para facilitar o acesso ao crédito durante a pandemia.

Limite do cartão de crédito

O limite do cartão de crédito consignado sobe de 1,40 para 1,60 vez o valor da renda mensal. Para saber de quanto é o novo limite, o segurado deve multiplicar o valor do benefício por 1,6
Taxas máximas de juros por mês.

Os bancos são livres para definir suas taxas de juros do crédito consignado do INSS, desde que o índice máximo por mês seja de até:

1,80%, para o empréstimo.
2,70%, para o cartão de crédito.


Fontes: Sindicato Nacional dos Aposentados

item-0
item-1
item-2
item-3