Cemig vai leiloar grande terreno no Centro de BH



Cemig vai leiloar grande terreno no Centro de BH

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) vai leiloar um terreno na região central de Belo Horizonte. Para adquirir a área, o interessado terá que desembolsar, no mínimo, R$ 31.443.990. O valor do lance mínimo foi definido, segundo a estatal, pelo laudo de avaliação mercadológica. Entretanto, apesar dos atrativos da área, o número de interessados no pregão pode ser afetado pelas indefinições promovidas pelo novo Plano Diretor de Belo Horizonte, em tramitação na Câmara Municipal, segundo especialistas do setor imobiliário da capital.

Uma das polêmicas aponta para o número de aproveitamento do terreno, que passaria para 1. Atualmente, o coeficiente varia de 1 a 2,7. Isso significa que, dependendo do bairro, o dono de um lote pode construir até 2,7 vezes o tamanho do terreno. Em um lote de 1.000 m², por exemplo, caberia um prédio com 2.700 mil m². A proposta do novo Plano Diretor da capital foi aprovada pela Câmara no último dia 20, em primeiro turno, numa sessão tumultuada na casa.

O Plano Diretor é a lei que dita as regras para o desenvolvimento da cidade e precisa ser atualizado de quatro em quatro anos. O que está em vigor é de 2010, e a proposta de alteração tramita na Câmara desde 2015. Antes de ir ao plenário, o projeto de lei precisa ser aprovado em segundo turno.

Análise

Para o vice-presidente da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI), Adriano Manetta, a insegurança jurídica trazida pela discussão do novo Plano Diretor da capital produz impactos negativos para os leilões de terrenos, como é o caso da Cemig. “Afinal, não dá para ter uma perspectiva do que será possível fazer em determinado terreno. Reduzindo o potencial de uso do terreno, o potencial do negócio também cai. Isso pode afastar os interessados em comprar um terreno”, explica.

Ele faz uma boa avaliação do terreno que a Cemig pretende vender no próximo dia 4, às 10h. “É um imóvel espetacular, extremamente bem-localizado, de grande dimensão. Só que é difícil dizer o que é possível fazer ali com toda a discussão do Plano Diretor que está em evolução”, diz.

O vice-presidente da área imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Renato Ferreira Machado Michel, faz uma análise semelhante. “A incerteza pode afugentar interessados na compra. O preço de um lote é proporcional ao uso que você pode fazer dele, na forma como ele pode ser aproveitado”, observa. Para ele, o momento é de instabilidade para o setor em Belo Horizonte.

Equilíbrio

A Cemig está vendendo vários ativos. Em agosto foi a vez dos ativos de telecomunicações. O objetivo do programa de desinvestimentos é alcançar o equilíbrio financeiro da empresa.

Outras ações da empresa em 2018

O motivo da venda da área que já abrigou uma subestação da Cemig, na rua Alagoas, número 65, deve-se à transferência da operação para a Subestação BH Centro 2, com maior capacidade de atendimento à população e tecnologia mais moderna, segundo nota da estatal. Dessa forma, o imóvel foi declarado inservível à prestação de serviço público de energia elétrica e, assim, colocado à venda.

De acordo com a empresa, foram realizados, somente neste ano, três leilões até o momento, sendo um em Três Marias (região Central), outro em Minas Novas (Vale do Jequitinhonha) e outro com imóveis em mais de 20 cidades de Minas e em São Simão (GO).

Além do pregão eletrônico do imóvel localizado na rua Alagoas com a avenida Afonso Pena e rua Timbiras, está previsto também para dezembro deste ano um outro leilão, em Bambuí (Centro-Oeste).

Fonte: jornal O Tempo, por Juliana Gontijo

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