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Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais

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Falta de mobilidade interna mantém trabalhadores da Cemig em impasse

A direção da Cemig segue em silêncio diante de uma demanda direta dos eletricitários: a implementação de um programa estruturado de mobilidade interna. A reivindicação foi formalizada pelo Sindieletro-MG por meio de ofício e, até agora, não houve resposta da empresa.

A omissão não é um detalhe administrativo. Ela prolonga um problema já denunciado pela categoria e abordado pelo Sindieletro há algumas semanas: a ausência de regras claras de mobilidade penaliza trabalhadores, trava trajetórias profissionais e aprofunda distorções dentro da própria empresa.

Como já apontado, a movimentação entre áreas, funções ou localidades depende hoje de decisões pontuais e pouco transparentes. O resultado é conhecido nas bases: trabalhadores impedidos de se aproximar de suas cidades de origem, equipes sobrecarregadas em determinados setores e profissionais com experiência subutilizada enquanto há carência em outras áreas.

A ausência de um programa estruturado não é uma lacuna neutra: na prática, mantém e aprofunda desigualdades internas e transfere para os trabalhadores o custo dessa desorganização.

O ofício enviado pelo Sindieletro trata de gestão de pessoal, eficiência operacional e condições de trabalho — temas diretamente ligados ao funcionamento da empresa. Ainda assim, a Cemig opta por não responder, mantendo uma postura que afasta o diálogo e ignora quem conhece a operação por dentro.

O cenário se torna ainda mais contraditório diante de um dado objetivo: centenas de trabalhadores aprovados no concurso de 2025 aguardam convocação. É justamente nesse ponto que a empresa deixa passar uma oportunidade concreta de correção de rumo.

Antes de chamar novos trabalhadores, a Cemig poderia — e deveria — abrir uma campanha estruturada de mobilidade interna, com critérios transparentes e alcance em toda a empresa. Isso permitiria reorganizar a força de trabalho, corrigir distorções já conhecidas e aproveitar melhor a experiência de quem já está na casa.

Só depois desse processo, a convocação dos aprovados ocorreria de forma mais racional, com alocação mais eficiente e menor risco de reproduzir problemas que hoje já afetam diversas áreas.

Ao ignorar o ofício, a Cemig não apenas evita uma discussão necessária: opta por manter o problema e avançar para novas contratações sem enfrentar uma distorção interna evidente.

O Sindieletro seguirá cobrando resposta formal, abertura de negociação e transparência nos critérios de movimentação e convocação. Mas reforça um ponto central: há uma alternativa imediata colocada.

Organizar primeiro a casa, com uma campanha de mobilidade interna ampla e transparente, não é apenas uma medida de gestão. É uma decisão que pode corrigir injustiças, dar racionalidade à operação e respeitar quem sustenta a empresa no dia a dia.