Desprezo por quem dedicou 43 anos de serviços



Desprezo por quem dedicou 43 anos de serviços

No mês de dezembro, em plena greve dos eletricitários, a direção da Cemig promoveu uma enxurrada de demissões. O argumento da empresa: quem é mais velho de casa e tem condições de se aposentar ou já se aposentou, deve sair. Para o Sindieletro, mais uma vez os gestores da empresa mostraram que os trabalhadores são vistos apenas como custos. Se eles pensam dessa forma, fica a pergunta: por que não demitir o presidente Djalma Morais, que vai completar 77 anos em março e recebe o maior salário da Cemig?

Mais que ver o eletricitário como custo, a direção da Cemig demonstra desprezo, descaso e insensibilidade para com o seu quadro de pessoal. Os trabalhadores estão sendo descartados como bagaço de laranja. Usou, aproveitou e jogou fora. Estão também desconsiderando talentos, os conhecimentos e a experiência dos empregados mais antigos, que ainda teriam muito a contribuir para o crescimento da empresa.

O Sindicato questiona: pagar R$ 5 bilhões de dividendos aos acionistas não é prova suficiente para mostrar que a Cemig tem condições de manter todos os trabalhadores que quiserem continuar na ativa? Ou a empresa demitiu para economizar e pagar os dividendos tão generosos?

Nem mesmo o eletricitário mais antigo na ativa foi poupado. Logo que acabou a greve da categoria, o técnico de projeto, 43 anos e meio de Cemig e lotado na Gerência de Expansão e Redes (PE/LS), Silvio Bianco Panatieri, conhecido por Silvão, 64 anos, recebeu a carta de demissão. “Não me surpreendi porque, em plena greve, chegaram notícias das demissões. Já desconfiava que seria um dos demitidos. Para mim, os dias de greve foram tenebrosos, porque temia, sim, ser mandado embora, mas, ao mesmo tempo, meu receio se transformou em mais uma motivação para continuar firme no movimento. Encontrei na injustiça da empresa mais força para lutar”, revelou.

O técnico de projeto é também engenheiro civil. Seu plano era só sair da empresa quando quisesse. Segundo ele, os conhecimentos adquiridos no curso de engenharia e na prática de décadas de Cemig ainda poderiam ser aproveitados pela empresa. “A direção da empresa não percebe que está desestruturando sua área técnica, uma área estratégica e de fundamental importância”, lamentou.

Descartado e desprezado

Silvão, como é conhecido pelos companheiros, revelou que se sentiu descartado e desprezado. “Quando entrei na Cemig tinha um sonho, o de crescer na empresa, o de dar o melhor de mim. Agora, quem entra convive com a instabilidade, com os riscos de ter o sonho frustrado”, desabafou. Para ele, os trabalhadores que ficaram devem se organizar e se unir ainda mais diante dos desafios. Ele justificou: para quem ficou, dê o melhor de si, empenhe-se. Mas não deixe de lutar por seus direitos, com todas as forças. Nós, eletricitários, somos responsáveis por nossas conquistas”, complementou.

Apesar de tudo, Silvão não tem mágoas e agradece pelos tempos que esteve na empresa. “Agradeço a Deus, em primeiro lugar, por me dar saúde e oportunidade de trabalhar. Depois, agradeço meus colegas de Cemig, eles foram importantes para meu crescimento pessoal e profissional. Sou uma pessoa que tem gratidão e por isso agradeço também todas as direções da Cemig ao longo das mais de quatro décadas que trabalhei na empresa. Um forte abraço a todos”, enfatizou.

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