A transição energética em Minas Gerais precisa ser feita com justiça social. Não adianta trocar combustíveis fósseis por energia solar ou eólica se o acesso à água e à energia ficar restrito a quem pode pagar. O futuro exige governos e empresas estatais comprometidas com o equilíbrio ambiental e, principalmente, com políticas públicas que garantam acesso universal.
Em um Estado marcado por tantas desigualdades regionais, é estratégico que a Cemig e a Copasa permaneçam sob controle público. Só assim será possível utilizar nossas hidrelétricas, a geração solar em expansão e os sistemas de distribuição de água para atender a população em seu conjunto, e não apenas gerar lucros para poucos.
As consequências de não cuidar desse equilíbrio já estão diante de nós: secas prolongadas, enchentes, energia mais cara, alimentos escassos, cadeias produtivas paralisadas e milhões de pessoas sem acesso ao básico. Quando o meio ambiente entra em colapso, toda a sociedade sofre, especialmente os mais vulneráveis.
O desafio é grande. O modelo econômico atual, voltado quase sempre à maximização do lucro, tem contribuído para acelerar as mudanças climáticas e desgastar os recursos naturais. Cabe ao Estado e às empresas públicas equilibrar essa equação, colocando o bem-estar coletivo e o interesse social no centro das decisões. Sem equilíbrio ambiental não há vida, não há economia, não há futuro.
“Empresas estatais são fundamentais para garantir acesso universal à água e à energia em Minas, preservando o meio ambiente e reduzindo desigualdades”.
A importância de manter a gestão estatal
No futuro, garantir água e energia será o maior diferencial de cada território. Por isso, é fundamental que Cemig e Copasa sigam como empresas estatais, sob a coordenação do Estado de Minas Gerais.
A gestão pública, quando feita com responsabilidade e transparência, pensa no coletivo e tem condições de assegurar que a transição energética seja justa.
Água e energia são bases da vida e do trabalho. Sem energia não se bombeia nem se trata a água; sem água não se gera energia e nem se mantém a agricultura. Esse círculo vital sustenta a sociedade e precisa ser preservado.
O que está em jogo
Manter a Cemig e a Copasa como empresas públicas significa defender a soberania energética, a preservação ambiental e a dignidade da população. Também significa garantir que os avanços tecnológicos — como a energia solar e eólica — cheguem a todos, e não apenas a quem pode pagar.
O que está em jogo não é apenas o preço da conta de água ou de energia, mas a capacidade de Minas Gerais assegurar qualidade de vida, desenvolvimento sustentável e justiça social para as próximas gerações.
Sem água não há energia; sem energia não há água; e sem as duas, não há futuro.
Emerson Andrada*
*Coordenador geral do Sindieletro/ MG – Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Energética de Minas Gerais
Fonte: Hoje em Dia