Audiência pública reúne seis mil trabalhadores em defesa das estatais mineiras e do referendo popular
Sindicalistas, movimentos sociais e parlamentares protagonizaram uma grande audiência pública, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, nesta quarta-feira (22). A reunião convocada pelo Sindágua-MG e Sindieletro-MG mostrou a força do movimento sindical e popular.
O ato faz parte da mobilização contra a PEC 24/2023, que retira da Constituição mineira a exigência de referendo popular para venda das estatais.
A audiência teve seu ponto alto durante a fala do presidente do Sindágua-MG, Eduardo Pereira, que mostrou nos telões – vídeos e reportagens destacando a importância da Copasa para Minas Gerais, especialmente nas regiões do Norte de Minas. As matérias do site da Copasa, da imprensa mineira e nacional mostraram dados, informações e obras de saneamento, ressaltando a atuação da empresa em áreas onde o setor privado não atua. Eduardo fez um alerta sobre as consequências da privatização, como o aumento das tarifas, a precarização do serviço e do emprego.
“ A Copasa é essencial para a população e qualquer tentativa de venda coloca em risco direitos básicos. Privatizar é colocar o lucro acima da vida”, afirmou.
A narrativa, amparada por dados concretos e referências visuais, colocou em cheque o discurso privatista do governo Zema, que usa o Programa de Pagamento Pleno das Dívidas dos Estados (Propag), para justificar a venda da Copasa.
Durante a audiência, os trabalhadores da Copasa se manifestaram o tempo todo, entre aplausos e vaias. Na fala do presidente da Copasa, Fernando Passalio de Avelar, os servidores ouviram de costas o discurso lido e contraditório. Ele afirmou que o desafio é universalizar o saneamento e negou risco de demissões, dizendo que o setor deve criar 1,5 milhão de empregos até 2033, e que a empresa reduziu em mais de 50% os acidentes de trabalho desde 2019 e mantém R$ 17 bilhões em investimentos até 2029.
O coordenador-geral do Sindieletro-MG, Emerson Andrada, também desafiou o governo em sua fala: “apresentem um caso de sucesso, onde a privatização do saneamento melhorou a qualidade da água e o serviço à população. Isso, na verdade, é impossível, porque nunca aconteceu”, disse.
O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, alertou que privatizações sempre trazem demissões e rebaixamento salarial.
“Não cometam o crime que cometeram com a Sabesp”, advertiu.
Deputados defendem Propag e investimentos
O deputado estadual “Betão”, autor do requerimento da audiência, disse que o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag) é uma grande alternativa ao regime de recuperação fiscal do governo Zema, que incluía congelamento de salários, privatizações e suspensão de concursos. O Propag não exige nenhuma dessas medidas”, argumentou o deputado.
A deputada Bella Gonçalves (Psol) lembrou que a Copasa possui R$ 28 bilhões garantidos em investimentos, entre planos próprios e acordos de reparação por Mariana e Brumadinho.
“A privatização não tem relação com falta de investimento. É um retrocesso e uma tentativa inconstitucional de calar o povo. Se for preciso, levaremos o tema ao STF”, afirmou.
A deputada Beatriz Cerqueira (PT) destacou que “a mobilização dos trabalhadores foi emocionante e uma das maiores que a ALMG já recebeu”. Beatriz defendeu uma vigília permanente na Casa para lutar contra a PEC 24.
Greve por tempo indeterminado
Após a audiência, os trabalhadores da Copasa, reunidos em frente à Assembleia, votaram greve por tempo indeterminado, para o enfrentamento da PEC 24/2023, que pode ser votada nesta quinta-feira.