Setembro Amarelo não é apenas uma campanha. É um grito de denúncia. Para os trabalhadores e trabalhadoras da Cemig, falar sobre saúde mental significa escancarar uma realidade marcada por assédio moral, sobrecarga, sucateamento da Cemig Saúde e desmonte da formação técnica. Esses fatores estão no centro do adoecimento da categoria e não podem ser ignorados.
Adoecimento mental em alta: reflexo direto da gestão privatista
Nunca antes na história da Cemig tantos trabalhadores se afastaram por motivos relacionados à saúde mental. Em 2019, esse tipo de afastamento ocupava o quinto lugar. Atualmente, está em primeiro. Essa escalada coincide com a chegada da atual gestão estadual, pautada por políticas privatistas. O modelo de administração adotado tem nome e consequências: adoecimento, acidentes e sofrimento.
Embora a direção da empresa tenha anunciado o programa “Energia Mental”, com atendimento psicológico e médico remoto, a iniciativa trata apenas os sintomas. Não enfrenta as causas reais, como o assédio coletivo, a pressão abusiva, a extensão de jornada, os ataques à Cemig Saúde e a judicialização de direitos como PLR e ACT.
De que adianta atendimento remoto se o assédio continua no chão da empresa?
Casos como o do Quarteirão 14, com denúncias graves desde 2017, inclusive de assédio sexual, seguem sem qualquer punição efetiva. O canal de denúncias da Cemig é ineficaz. O silêncio institucional aprofunda o sofrimento de quem já está vulnerável.
Além do assédio moral e sexual, as mulheres enfrentam também o machismo cotidiano. Por isso, a luta por respeito, igualdade e proteção é urgente.
Sucateamento da Cemig Saúde e exclusão da maioria
O ProSaúde Integrado está sendo desmantelado. Mesmo com lucros bilionários, a gestão transfere custos para os trabalhadores, ignora reivindicações da categoria e precariza a proteção à saúde.
Como resultado, os trabalhadores enfrentam uma série de ataques:
- Reajustes abusivos de 60,5% penalizam diretamente aposentados e ativos da base.
- Beneficiários inadimplentes, em sua maioria trabalhadores da ativa, estão sendo excluídos sem qualquer política de acolhimento ou negociação.
- Cerca de 80% da força de trabalho, composta majoritariamente por terceirizados, sequer tem acesso ao plano.
- A gestão do ProSaúde é marcada pela falta de transparência e pela ausência de participação democrática da categoria.
Acidentes e mortes recentes: o preço da negligência
A UniverCemig, referência internacional na formação técnica, está sendo desmontada. Há redução de instrutores, corte de cursos e infraestrutura precária. Como consequência, trabalhadores mal preparados enfrentam riscos cada vez maiores.
Em 2023, um jovem trabalhador com apenas 10 meses de experiência faleceu em um acidente elétrico. Esse caso é reflexo direto da falta de capacitação adequada. A tentativa de transferir a escola para abrigar a Prefeitura de Sete Lagoas reforça o abandono e a lógica privatista que ameaça a segurança operacional.
Pressão por produtividade, PDVPs (Programa de Desligamento Voluntário Programado) sem preparo, corte de custos e descaso estrutural adoecem e matam a categoria.
A lógica do lucro acima da vida está matando. Apenas entre abril e maio de 2025, foram registrados 13 acidentes graves, incluindo 3 mortes.
Cuidar da saúde mental é prioridade
Reservar momentos de lazer, afeto e convivência com quem nos fortalece é essencial. Se o trabalho adoece, não é o trabalhador que falha. É o sistema que precisa mudar.
Em Belo Horizonte, existem serviços gratuitos e sigilosos de apoio em saúde mental:
- CVV – 188: atendimento 24h, ligação gratuita
- CERSAMs: acolhimento e urgência
- UPAs e hospitais públicos: portas abertas para risco imediato
- Saúde Mental SUS BH: agendamento de acompanhamento psicológico e psiquiátrico
Mobilização e luta: a resposta da categoria
A dignidade não se negocia, e quem a ameaça encontrará uma categoria organizada e pronta para lutar.
O Sindieletro segue firme na defesa da saúde da categoria, da preservação da vida e contra a gestão baseada em assédio, sucateamento e precarização da Cemig.