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Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais

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Montes Claros repudia privatização da Copasa e Cemig

A Câmara Municipal de Montes Claros ficou lotada na noite desta segunda-feira (20), durante audiência pública organizada pelo Sindágua-MG e pelo Sindieletro-MG, em protesto contra a privatização da Copasa e da Cemig proposta pelo governador Romeu Zema.

O encontro também discutiu a PEC 24/2023, que retira da população o direito de decidir sobre a venda das estatais.

Trabalhadores, sindicatos, movimentos populares e vereadores ocuparam o plenário em defesa da água e da energia como direitos essenciais, não mercadorias.

O presidente do Sindágua-MG, Eduardo Pereira, destacou a importância da Copasa para regiões do Norte de Minas, com baixo indice de Desenvolvimento Humano (IDH), onde o setor privado não opera por não ser rentável. “A água é um bem essencial e precisa continuar pública para garantir o acesso e o abastecimento para toda população. Se privatizarem a Copasa, cidades menores ficarão à mercê do mercado, que só pensa em lucro,” declarou.

O secretário-geral do Sindieletro-MG, Jefferson da Silva, reforçou que a classe trabalhadora sempre garantiu serviços essenciais em crises, citando tragédias em Porto Alegre e apagões no Rio de Janeiro, e apresentou dados globais: mais de 1.300 empresas de água e energia foram reestatizadas no Norte Global e 300 no Sul Global, após prejuízos e abandono pela iniciativa privada. Privatização só interessa a banqueiros e especuladores”, afirmou.

O vereador de Montes Claros Rodrigo Cadeirante (União Brasil) criticou a má gestão e o favorecimento político em cargos de alto salário na Copasa, mas reafirmou o respeito aos trabalhadores. “O problema não está nos funcionários, mas em uma política mesquinha que usa cargos públicos como moeda de troca. O Estado não está quebrado, o dinheiro da Copasa deve ser investido na própria empresa”, defendeu.

Vários trabalhadores da Copasa criticaram a gestão do governo Zema. Um trabalhador, com 14 anos de experiência, denunciou a precarização do trabalho, o corte de pessoal e as dificuldades enfrentadas. “Nosso desgovernador aumentou o próprio salário em 300% e quer destruir o Estado. A privatização não funciona, como vimos no Rio e em São Paulo. Precisamos que vereadores e deputados nos ajudem. Não podemos entregar o nosso patrimônio aos rentistas da iniciativa privada”.

Moção de repúdio

A audiência resultou em moção de repúdio ao governo estadual e reforçou a convocação para a greve estadual da Copasa, de 21 a 23 de outubro. O evento reforçou a união entre população, trabalhadores e movimentos sociais na defesa do patrimônio público e da soberania sobre serviços essenciais.