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Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais

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Diretora indicada pelo Sindsul para Cemig Saúde não tem qualificação comprovada e custará mais de R$1 milhão por ano

Indicação foi condição estabelecida pelo Sindsul para unificação dos acordos; entidades parceiras sempre foram contra

Camila Porto Carvalho tomou posse como diretora operacional na Cemig Saúde segunda-feira (9). O novo cargo foi incluído no acordo judicial relacionado à quitação e extinção das obrigações da Cemig quanto ao custeio do plano de saúde PSI.

Desde as negociações que levaram ao chamado Acordo Único, o Sindieletro, juntamente com outras entidades representativas — a ABCF, a AEA-MG, o Senge e o Sindicato de Juiz de Fora — posicionou-se de forma contrária à criação desse cargo. A principal crítica é o fato de a indicação ser prerrogativa exclusiva do Sindsul, sem participação ou possibilidade de veto das demais entidades que representam trabalhadores e aposentados da Cemig. O sindicato impôs esta condição para firmar o acordo unificado.

Ex-assessora de Vanderlei Toledo, diretor do Sindsul, Camila jamais trabalhou na Cemig. Ela foi demitida por duas vezes da Forluz, trabalhando lá apenas durante o período da gestão de Toledo. Um aspecto que causa estranheza é o fato de a indicação ter sido feita em janeiro deste ano, embora a descrição formal das atribuições do cargo tenha sido definida apenas na reunião que oficializou a posse. Ou seja: a decisão sobre a indicada não levou em conta sua qualificação para o exercício da função.

Também pesa o impacto financeiro da medida. O cargo criado prevê remuneração mensal de R$ 42.852,00 e custo anual superior a R$ 1 milhão, valor significativo para a estrutura da Cemig Saúde em um momento particularmente delicado para os beneficiários do plano.

A criação da diretoria ocorreu justamente durante as negociações que trataram da retirada do patrocínio da empresa no custeio do plano de saúde dos aposentados. O momento é de reconstrução e reequilíbrio, não de gastança com amigos. As entidades parceiras sempre criticaram as indicações desconectadas das reais necessidades para a Cemig e para sua força de trabalho. Dessa vez, não será diferente: o Sindieletro não se isentará de manifestar indignação e total discordância com a decisão do Sindsul num momento tão delicado para a categoria.

A governança da Cemig Saúde precisa ser conduzida com transparência, responsabilidade e respeito ao conjunto das entidades representativas dos trabalhadores e aposentados. É momento de construir algo novo, não de reproduzir velhos hábitos.