(31) 3238-5000

Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais

Compartilhe:

Bancos exigem metas abusivas para aumentar lucros, mas demitem trabalhadores

Bancos exigem metas abusivas para aumentar lucros, mas demitem trabalhadoresBancos exigem metas abusivas para aumentar lucros, mas demitem trabalhadores

Apesar do recorde de lucros, que aumentaram, inclusive, com a diminuição de despesas administrativas, como água, energia elétrica, serviços de vigilância e segurança e viagens durante a pandemia, os bancos brasileiros não param de demitir, alerta em artigo a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e bancária do Itaú, Ivone Silva.

O setor mais lucrativo do país contribui para o aumento das altas taxas de desemprego, que atinge quase 14 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, diz a presidenta no texto. Em 12 meses foram fechadas 1.389 agências físicas e, somente o Bradesco e BB eliminaram mais de 15 mil postos de trabalho, relata.

Confira a íntegra do artigo:

Nos últimos dias foram divulgados os demonstrativos financeiros do terceiro trimestre dos principais bancos atuantes no país e os resultados, mais uma vez, mostram que não há crise para os banqueiros. Juntos, o Bradesco, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Itaú Unibanco e o Santander somaram R$ 80,9 bilhões nos nove primeiros meses do ano, com alta de 52,3% em relação ao mesmo período do ano de 2020.

Os bancos estão mais rentáveis, com melhores indicadores de eficiência, as carteiras de crédito foram ampliadas em quase R$ 4,0 trilhões, as receitas com prestação de serviços e tarifas totalizaram R$ 105,6 bilhões com crescimento médio de 5,1%, valor mais que suficiente para cobrir as despesas com pessoal. Os índices de inadimplência continuaram em patamares baixos, melhores, inclusive, que na pré-pandemia.

As Provisões para Devedores Duvidosos (PDD), que reduziram os lucros num período passado, seguem caindo, afinal, os banqueiros não possuem incertezas em relação à atual crise econômica e social. Existe crise para a sociedade brasileira que segue empobrecida, em um cenário de aumento da precarização do trabalho, informalidade e desemprego.

Durante a pandemia, os ganhos aumentaram com a diminuição de despesas administrativas, como água, energia elétrica, serviços de vigilância e segurança e viagens. No último ano, até setembro de 2021, os bancos fizeram uma economia de, no mínimo, R$ 511 milhões. Ou seja, o home office dos bancários ampliou os ganhos dos banqueiros.

Mas, mesmo num cenário tão favorável, os bancos continuam demitindo e fechando agências. Em 12 meses foram fechadas 1.389 agências físicas e, somente o Bradesco e BB eliminaram mais de 15 mil postos de trabalho. Já as contratações foram realizadas pela Caixa, Itaú e Santander, sendo estes dois últimos, associadas às ocupações ligadas à Tecnologia da Informação, área prioritária de investimento dos bancos. Trabalhadores de TI contratados pelos bancos fazem parte da categoria bancária.

No Brasil, já são 13,7 milhões de desempregados e o setor mais lucrativo contribui para o aumento desse número. Não há justificativa para os bancos fecharem postos de trabalho em plena pandemia. Onde está a imagem de respeito com a população das suas peças publicitárias? Os bancos são uma concessão pública e têm um papel social importante no crescimento de um país. É importante que as instituições financeiras, responsáveis por cuidar do dinheiro da população, sejam um instrumento para o desenvolvimento econômico e não para fragilizar ainda mais a economia.

Ivone Silva, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e bancária do Itaú.

Fonte: CUT Brasil

Compartilhe