Para economista, “a luta é árdua e necessária”



Para economista, “a luta é árdua e necessária”

 

No dia 23 de maio, o economista, escritor e professor, Marcio Pochmann, esteve em Belo Horizonte para participar de dois importantes debates sobre as privatizações e a Reforma da Previdência.

Pela manhã, Pochmann, que é presidente da Fundação Perseu Abramo, professor e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho do Instituto de Economia da Unicamp, debateu sobre as privatizações na Escola Sindical 7 de Outubro.

O evento foi uma iniciativa da Escola em parceria com a Frente Brasil Popular, o mandato coletivo da deputada Beatriz Cerqueira e o Coletivo de Sindicalistas de Estatais contra a Privatização.

À tarde, Pochmann esteve na Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), debatendo a proposta de Reforma da Previdência do governo.

Privatizações: já não existe conceito ideológico

Pochmann lembrou que a venda das estatais brasileiras se intensificou nos governos Collor e FHC, que aderiram à globalização de forma “pacifica, desarticulada e subordinada aos interesses dos EUA, o que resultou na inviabilização do setor produtivo nacional”.

Nesse cenário, observou, teve início o processo de privatizações com uma ideologia bem definida propagando que o Estado era incompetente para administrar empresas. Na atual conjuntura, afirmou, não existe qualquer conceito ideológico. “Para o governo atual, não interessa se as empresas forem arrematadas por estatais de outros países ou pela iniciativa privada”, disse. A ordem é vender sem qualquer justificativa.

Pochmann ressaltou que temos pela frente um luta árdua e necessária contra as privatizações e a Reforma da Previdência. Ele alertou que não podemos agir somente no impulso, que é preciso construir uma agenda com projeto de longo prazo.

Para ele, numa sociedade de classes, os miseráveis projetam o dia de amanhã; a classe operária o mês; a classe média, o ano; e os ricos planejam o longo prazo. “Se, como classe trabalhadora, não pensarmos em décadas, não serão os ricos que irão pensar por nós, as reações por impulso não produzem efeitos práticos, precisamos construir um projeto”, finalizou.

Reforma da Previdência piora a situação trabalhista

Na audiência pública realizada na ALMG e solicitada pela deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), Pochmann advertiu que, sem a geração de empregos formais de boa qualidade, a Previdência Social não terá sustentabilidade. Ele ressaltou que o Brasil está assistindo a uma destruição do sistema previdenciário e das relações de trabalho nunca antes vista na história.

Para o professor, ao contrário do que diz o governo, a Reforma da Previdência vai piorar a economia e a proteção aos trabalhadores. Segundo ele, o governo quer deslocar o atual regime previdenciário, hoje financiado pelo trabalhador, para a gestão de mercado, por meio do regime de capitalização. “Numa situação de desemprego, a aposentadoria passando a depender apenas do trabalhador torna o horizonte pior do que o que já temos hoje”, advertiu.

“Após a Reforma Trabalhista, a tendência é a destruição das relações de trabalho no mundo corporativo. O sistema passará a ser cada vez mais contratualista, com destaque para o trabalho autônomo e a terceirização”, acrescentou.

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