Morte de garoto em rede elétrica: perguntas sem respostas

14 de Julho de 2017 às 09:14


Cemig respondeu de forma vaga. Nada foi esclarecido, nem se a estatal está  investigando o caso.

Além da perda inestimável para a família, há algo que não se encaixa nas circunstâncias do acidente por choque em rede elétrica que matou o garoto de 11 anos, Wallison Matis, no bairro Alto do Rosário, em Mariana, no dia 13 de junho. O menino esbarrou em um fio de alta tensão que estava solto, no chão, em um terreno descampado, da empresa Companhia Mina da Passagem, quando soltava pipa.

Por que não se encaixa? Quase um mês após o acidente, falta transparência da Cemig sobre a apuração, a responsabilidade e a garantia de uma resposta para os pais de Wallison, que pedem justiça.

O garoto foi eletrocutado em uma terça-feira, mas, segundo reportagem de uma TV local, moradores do bairro, na sexta, dia 9, e também no sábado, 10, disseram que a empresa foi acionada para ir à área verificar e resolver o problema de “bolas de fogo” que saiam da rede. “Havia muito fogo, muitas faíscas, parecendo curto, e até um guarda municipal foi ao terreno, chamado por moradores, para ver a situação.

Só a Cemig não compareceu e, na terça-feira, tomamos conhecimento da tragédia com o Wallison, que, para nós, poderia ser evitada”, disse uma moradora do Alto do Rosário. Acima do terreno passam duas redes, uma da estatal e outra particular. A rede privada, segundo o gerente da Cia Mina da Passagem, dona do terreno, José Dinei de Oliveira, em entrevista ao Chave Geral e também à TV local, pertence ao Grupo AVG (atua nas áreas da siderurgia, mineração, pequenas hidrelétricas, entre outras, e confirmou ser proprietária da rede particular).

José Dinei alega que a sua empresa não tem nada a ver com o acidente, pois “só é dona do terreno”. Segundo ele, a linha de transmissão do grupo AVG está desligada há quase dois anos.

Em nota à imprensa, a Cemig informou que foi ao local após o acidente e constatou que o garoto teve contato com um cabo energizado da rede particular, “que estava desligado, porém, os cabos rompidos caíram no chão após tocarem na rede média da Cemig e ficaram energizados”.
A estatal não disse nada sobre os avisos dos moradores apontando faíscas e bolas de fogo na rede sobre o terreno da Mina da Passagem. Já para o Sindieletro a resposta foi ainda mais evasiva.

Entramos em contato, por telefone e por e-mail, com a Assessoria de Comunicação e a RH/RT (Gerência de Relações Trabalhistas ) da Cemig, solicitando, sobretudo se a empresa está apurando, qual a sua responsabilidade e por que não atendeu aos chamados dos moradores antes do acidente, para isolar a fiação exposta. A RH/RT respondeu, mas não disse nada se o acidente será apurado.

O gerente de Relações Trabalhistas, Brunno Viana dos Santos Santanna, encaminhou para o Sindicato a nota: “Sobre o acidente envolvendo uma criança na zona rural de Mariana, a Cemig informa que esteve no local, logo após o acidente e que o mesmo foi causado por rede particular da empresa OPM Empreendimentos (pertencente ao Grupo AVG), que estava com cabo energizado caído no solo”.

Dentro da Cemig nenhum gestor fala sobre o assunto, principalmente na região de Ouro Preto, que atende a área de Mariana. A impressão que fica é de omissão, o que leva a algumas perguntas que a empresa precisa responder com urgência: por que o silêncio? Por que não atendeu ao chamado dos moradores? Será a falta de pessoal? Ou o descaso com a manutenção da rede? Ou a culpa é da OPM Empreendimentos?

O diretor de Saúde do Trabalhador do Sindieletro, Gilmar de Souza Pinto, cobrou apuração firme, criteriosa e rigorosa por parte da Cemig. Ele adiantou que o Sindicato deve procurar o Ministério do Trabalho e Emprego pedindo também uma investigação.

“Como a família, também queremos resposta e justiça. O garoto morreu, é uma perda que causa muita dor, e a empresa precisa de, no mínimo dar uma resposta à família”, destacou. Gilmar ainda cobrou que é fundamental os trabalhadores de Ouro Preto serem envolvidos na discussão do acidente. “Eles merecem respeito e transparência da Cemig sobre as responsabilidades pelo acidente e as medidas que estão sendo tomadas.”

Gilmar disse também que é fundamental a CIPA de Ouro Preto abordar esse assunto e cobrar apuração.

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